
De antiga loja de têxteis
a uma moderna geladaria:
a reabilitação de um legado Pombalino
PORTFOLIO
GELADARIA
CALÇADA DO COMBRO
Remodelação | Loja
Área: 45,00 m2
No coração de um edifício Pombalino, classificado como património de interesse público, encontrámos um espaço que guardava, sob camadas de revestimentos sem alma, a nobreza da Lisboa histórica. O desafio foi ambicioso: converter uma antiga loja de têxteis numa geladaria contemporânea, fundindo o rigor técnico exigido pela segurança alimentar com o respeito sagrado pela história do edifício.
Mais do que uma alteração de uso, este projeto foi um compromisso entre a preservação do legado e a inovação do serviço.

O desafio
Intervir num imóvel com este nível de proteção exige uma sensibilidade minuciosa. O objetivo foi dotar o espaço de todas as infraestruturas modernas — sistemas de higiene, ventilação e segurança — sem ferir a integridade do património.
A estratégia de ocupação respeitou a compartimentação original, distribuindo de forma equilibrada a zona de atendimento, as áreas outrora de confeção e as instalações de serviço. O verdadeiro sucesso residiu na compatibilização invisível: os traçados técnicos, complexos e exigentes, foram integrados de forma a não interferir na leitura dos elementos arquitetónicos, garantindo que a tecnologia serve o espaço sem o dominar.


A transformação
A alma desta nova geladaria revela-se logo no primeiro olhar a partir do exterior. O desenho do espaço foi pensado para cativar quem passa, utilizando a própria história do edifício como convite. A circulação flui de forma natural, guiando o público através de um ambiente que se pretende identitário e acolhedor.
A metamorfose operada permitiu que um espaço comercial de outrora se adaptasse às exigências do presente, onde a funcionalidade de uma unidade de produção alimentar convive harmoniosamente com a elegância de um salão pombalino.

Materialidade e atmosfera
O projeto foi, acima de tudo, um exercício de revelação. Durante a cuidada execução da obra, o objetivo foi minimizar danos e resgatar a qualidade oculta pelas intervenções do passado. Sob revestimentos de fraca qualidade, o edifício devolveu-nos a sua verdade: arcos em pedra natural que, agora libertos, assumem o papel de protagonistas da cena.
A seleção dos novos materiais procurou o diálogo com esta pedra redescoberta, criando um ambiente onde o novo se retrai para deixar brilhar a preexistência. O resultado é um espaço que não esconde a sua idade, mas que a celebra, oferecendo uma experiência onde o sabor da contemporaneidade se encontra com a solidez eterna da Lisboa pombalina.

