
Um apartamento fragmentado que se rendeu à luz e ao espaço.
PORTFOLIO
APARTAMENTO OLIVAIS
Remodelação | Habitação
Área: 95,00 m2
Nos Olivais, encontrámos um apartamento que carregava em si a lógica do seu tempo. O edifício inseria-se num movimento urbanístico marcante: uma estrutura habitacional pensada para dar resposta a uma cidade em expansão, mas que legou aos seus habitantes espaços muito compartimentados e de dimensão contida. A tipologia T4 original, com quartos de dez metros quadrados e uma cozinha encerrada entre paredes, resistia à vida como ela se vive hoje.
O apartamento tinha, porém, um trunfo silencioso: a orientação nascente, com vãos voltados para o Tejo. Bastava encontrar a forma de o deixar respirar.

O desafio
O objetivo foi libertar o apartamento da sua compartimentação original sem perder o sentido de organização e privacidade: passar de um T4 fragmentado a um T3 fluido, reduzindo um quarto, mas ganhando em qualidade de espaço, luz e relação entre as partes.
Era essencial que a cozinha saísse do seu isolamento e passasse a fazer parte da vida social da casa. E que os quartos, antes voltados para si mesmos, estabelecessem uma relação natural com a fachada e com o horizonte que ela oferecia.
A transformação
A cozinha abriu-se à sala, criando um espaço contínuo onde cozinhar e conviver se tornaram gestos do mesmo quotidiano. Um balcão marca a transição entre os dois ambientes - ponto de refeições rápidas, de conversa, de presença partilhada.
A sala organizou-se em três momentos distintos: um pequeno espaço de leitura e biblioteca, uma zona de refeição, e uma área de estar voltada para o rio, onde o Tejo se impõe como pano de fundo permanente.
Os quartos passaram a estar expostos à frente dos vãos nascentes, beneficiando da luz da manhã e das vistas que o apartamento sempre teve, mas que pouco aproveitava. A suite ganhou closet e antecâmara - uma sequência que ordena a circulação entre o descanso e o vestir, criando uma relação natural entre funções complementares. O terceiro quarto, transformado em escritório, mantém ligação direta com a sala: próximo do núcleo familiar, mas com a autonomia necessária para o trabalho.

Materialidade e atmosfera
Num apartamento de dimensão contida, cada decisão conta. A paleta foi pensada para ampliar a perceção de espaço e deixar a luz trabalhar. Ela que, a nascente, chega generosa e se transforma ao longo do dia.
Os materiais surgem com contenção, sem gestos desnecessários. A identidade do espaço constrói-se na relação entre o que entra pela janela e o que foi desenhado para o receber.
Mais do que uma renovação, este projeto foi um exercício de libertação: tirar o que fechava, abrir o que escondia, e deixar que o apartamento finalmente se relacionasse com a cidade e com o rio que sempre estiveram ali à sua frente.

